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quarta-feira, 10 de junho de 2026

 

VERDADE E CERTEZAS

À maneira de testamento intelectual

 

A prática, as experiências das diversas culturas acumuladas transmitidas e refletidas (as ideias que geram outras ideias), as investigações científicas provadas matemática e experimentalmente (prática), as deduções mais consensuais na comunidade científica, demonstram que

1. A verdade existe (relativa apenas face ao absoluto que jamais poderá, por definição de todo e fim, ser alcançado. Digo verdade universalmente admitida pelos argumentos que adiantei anteriormente.

2. É verdade que tudo que existe e conhecemos é material e não espiritual. A MATÉRIA/ENERGIA/CAMPOS QUÂNTICOS são as , ou a , categorias fundamentais iniciam  todo o raciocínio visão do mundo e da vida, historicamente adquiridas recentemente e têm vindo a acumular-se na composição de uma unidade com princípio, meio e fim. Filosoficamente designa-se de MATERIALISMO, para opor-se a metafísicas ou especulações espiritualistas (designa-se Idealismo em Filosofia) não científicas e anti científicas que vêm a perder terreno no pensamento racional.

3. O Universo a que pertencemos teve um começo (fosse ele o BigBang surgido das virtualidades de campos quântico aparentemente vazio, ou por outros modos) e tem uma morte, a qual poderá realizar-se por uma das três teorias admitidas para debate e dedução atualmente.

4. Não é por enquanto verdadeiro, nem certo, que este universo possa ter surgido  (numa das condições anteriores) da morte por contração de um outro universo, ou que esteja no interior de “universo” maior, porém são hipóteses racionais , O que não existe é um indício racional, por mais pequeno que seja, que justifique a hipótese de “criação” por uma Inteligência suprema espiritual., mesmo que seja, ou tivesse sido, com as caraterísticas do deus antropomórfico. Deus ou divindades não existem. São produtos da Imaginação. Essa produção emocional-intelectual tem explicações, em andamento rápido, da ordem do pensamento científico.

5. Não existe alma alguma, i.e. o espírito separado do corpo. A nossa mente é o corpo que sente e pensa. Por consequência, a mente não sobrevive à morte do corpo que habita, que é o próprio corpo. Não somos imortais. Pela mesma ordem de ideias e factos nenhuma forma de vida considerada individualmente é imortal. Como espécie pode durar indefinidamente, como sucede realmente com algumas formas de vida primordial. Mesmo assim acabarão por morrer se , ou quando, as condições que lhes permitem viver e reproduzir-se, forem cessando (a lenta extinção do nosso sol) ou catástrofes naturais ou por acção humana (eventualmente extraterrestre).

6. A vida tem como exigência e finalidade primeira e urgente sobreviver, reproduzir-se ou individualmente autoconservar-se. Esta necessidade de auto preservação (conatus chamou-lhe o filósofo Baruch Espinosa) condiciona decisivamente (ainda que não determine todas formas de existência social humana) a evolução da Vida em múltiplas formas, cujos encadeamentos já conhecemos bastantes (adentro das ciências biológicas).

7. Socialmente somos condicionados não só pela biologia (ambiente natural ou socialmente naturalizado, transformado e criado) como também por condições sociais materiais . Em primeiro lugar, pelos modos como se produz (modos de produção constituídos por forças e relações de produção). As sociedades por efeitos das transformações produzidas pelas organizações humanas, são, assim, entidades históricas (nasceram, desenvolveram-se de um modo ou de outro, extinguiram-se ou transformaram-se resistindo) compostas por agrupamentos de diverso tipo. Muitas desses agrupamentos desapareceram (pequenas comunidades do paleolítico por exemplo), foram diferenciadas embora existissem simultaneamente , inclusivamente próximas umas das outras. As formações económico-sociais constituíram-se dos grupos primitivos para grandes grupos que designamos por classes sociais. A sua constituição , sendo histórica, evoluiu, surgiram ou extinguiram-se, dependendo as suas formas do moo dominante de produção e organização das relações entre os indivíduos. Algumas extinguiram-se por catástrofes naturais , por catástrofes acentuadas pelos habitantes, ou por guerras de conquista, aculturação, lutas entre classes sociais. As condições materiais de vida e os modos dominantes como os os homens tomam delas consciência, como lutam para satisfazer o desejo primordial de existência e de satisfação, a economia e o tipo de bens que esta permite produzir, os modos como os bens são apropriados e distribuídos, compõem a base determinante de qualquer análise racional, sobre a qual se constituem relações de vários tipos : morais, políticas, de parentesco, de intercâmbio, de poder e hierarquias, de prestígios, de comunidades, de produções culturais estéticas e sua distribuição, posse, reprodução  e fruição.

8. Do que se afirmou anteriormente deduz-se que o espírito (a mente, a consciência) não esta desligado ma materialidade da vida, muito embora, gozando de autonomia (uma certa vida própria” de combinar-se, inventar-se, reproduzir-se) possa, como sucede várias vezes no decurso da história humana tão diversificada), condicionar decisivamente a organização económica e, sobretudo, política.

9. Finalmente, tudo que é organismo vivo e que conhecemos até hoje, possui, ou possuiu, uma história. Objetos não orgânicos possuem a sua história. A sua evolução por mais inertes que pareçam. A evolução tanto admite leis como fenómenos ou acontecimentos aleatórios. O Universo tanto é um caos, na sua maior parte vazio, de fenómenos acidentais, como se rege por leis, algumas das quais conhecemos com certeza. O que está por conhecer é de uma extensão atualmente incomensurável ( a energia escura e o seu papel na formação e relativa estabilidade do nosso universo, por exemplo, o vazio “cheio” de virtualidades dos campos quânticos, etc.) , porém nenhum argumentos irracional contrários ao pensamento científico (tal qual o temos exercido) anula as verdades adquiridas. Contudo, a humanidade, i.e. as sociedades humanas, podem simplesmente extinguirem-se por via de catástrofes naturais ou provocadas e a cultura científica (as verdades) pode eventualmente regredir ao ponto zero ou a estádios novamente primitivos. Os progressos, as conquistas, os avanços, podem regredir, como se prova por acontecimentos verificados na história . Além destas possibilidades sabemos também que não existe lei de progresso contínuo alguma, de lei inexorável ou determinista de evolução de níveis ditos superiores (raças como tal não existem entre os humanos). A evolução natural acontece por desvios, erros, acidentes, catástrofes, combinações nos corpos que assim sobrevivem ou por constituição de corpos cujos órgãos são partes, que evoluíram, de corpos que se extinguiram ( a história do olho humano é exemplar).

10. Tudo que observamos depende da constituição específica dos nossos órgãos sensoriais . Recebem determinados tipos de ondas e o cérebro transforma-as em imagens. A experimentação científica, conforme meios técnicos e métodos matemáticos, hipóteses e deduções. Fornece a prova ou a ficção.  Apesar dos limites das nossas percepções e da nossa mentalidade pessoal sempre social, a ficção ou imaginação é a parte mais divertida das nossas vidas.

----------------Nozes Pires------------10/06/2026

 

Como (e quando) o universo vai acabar?

Ilustração da explosão de uma estrela

Crédito, Science Photo Library

foto, Estimativas apontam que o universo tem pelo menos 13,8 bilhões de anos
    • Author, André Biernath
    • Role, Da BBC News Brasil em Londres
  • Published
  • Tempo de leitura: 7 min

Uma morte escura, fria e um tanto tediosa. Um desenlace drástico, violento e com pitadas de drama. Ou um final que mais se parece com o começo de tudo.

Essas são três das possibilidades mais estudadas atualmente sobre como será o fim do universo.

Não há dúvidas de que essa é uma das questões mais intrigantes e misteriosas da Ciência — e mesmo os especialistas no assunto admitem que existem mais perguntas que respostas neste debate.

Mas, para entender como o universo vai acabar, é preciso antes saber como ele começou.

O início de tudo

A cosmologia é o ramo da Física que estuda esse assunto e faz estudos para desvendar como o universo funciona.

"As ideias sobre esse fim vêm dos modelos cosmológicos, que tentam descrever o universo como um todo, sem prestar atenção em detalhes menores", explica o físico Alexandre Zabot, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

"Nosso trabalho é como observar o comportamento e o fluxo de um rio inteiro, sem avaliar a fundo todas as moléculas de água que passam por ali", compara ele.

E os modelos cosmológicos atuais se baseiam em duas palavrinhas que você provavelmente já ouviu: Big Bang.






Há pelo menos 13,8 bilhões de anos, todas as partículas que compõem o universo estavam acumuladas, com uma temperatura e uma densidade extremamente altas.

A partir do Big Bang, esse material começou a se expandir e a formar as estruturas que conhecemos, como as galáxias, as estrelas, os planetas…

E é importante saber que essa expansão continua a acontecer até hoje — inclusive, ela parece estar se acelerando, como revelam as observações e os cálculos mais recentes.

Mas será que um dia desses tudo isso terá um ponto final?

Ilustração do Big

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, A partir do Big Bang, o universo começou a se expandir — num processo que parece estar em aceleração

O grande congelamento

A primeira teoria que busca desvendar o epílogo do universo tem como base justamente a continuidade desse processo expansionista.

A ideia aqui é que todas as estruturas e as partículas ficarão cada vez mais distantes entre si.

Em algum momento, até mesmo os gases necessários para a formação de novas estrelas estarão esparsos demais.

Essa baixa densidade dos gases, pelo distanciamento entre as partículas, impedirá a formação desses corpos celestes, responsáveis por prover luz e calor.

E, com o passar do tempo, as estrelas já formadas passarão por todas as fases de desenvolvimento — até finalmente morrerem.

"Tudo indica que o universo vai ficar cada vez mais vazio, mais frio e mais distante", observa o pesquisador Raul Abramo, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP).

"As galáxias vão se afastar cada vez mais, as estrelas vão envelhecer e morrer… Trata-se de um estado final onde o universo será essencialmente um cemitério", caracteriza ele.

Céu estrelado

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Na teoria do grande congelamento, o universo se tornaria um enorme cemitério gelado e sem luz

A grande ruptura

A segunda possibilidade aventada pelos cientistas é um tanto mais drástica.

Aqui entram em cena dois elementos fundamentais para entender a dinâmica do universo.

A primeira é a gravidade, a força que atrai todos os corpos. É ela que mantém a coesão entre galáxias próximas e os sistemas planetários.

É graças à gravidade que Mercúrio, Vênus, Terra, Marte e os outros planetas orbitam ao redor do Sol, por exemplo.

O segundo elemento é um tanto mais misterioso: a energia escura.

"Ainda não sabemos do que ela é feita, mas sabe-se que provoca uma repulsão, quase como se fosse uma antigravidade", ensina Zabot, que também é coautor do livro Introdução à Cosmologia Moderna (Editora Livraria da Física).

Ou seja: tudo indica que a energia escura parece ter um efeito oposto ao da gravidade. Em vez de gerar atração, é como se ela repelisse, afastasse.

Pelo que se sabe até o momento, a energia escura só tem influência nas grandes escalas cosmológicas, ou na dinâmica de superaglomerados de galáxias, que estão se afastando uns dos outros.

No entanto, em escalas "menores", como na relação entre galáxias próximas ou dentro de sistemas planetários, a força da gravidade parece ganhar essa disputa.

Mas, à medida que o universo se expande, será que a energia escura vai ter mais influência também nas escalas menores?

"Quanto mais o universo cresce e ganha volume, maior fica a força de repulsão ligada à energia escura", raciocina Zabot.

"Pode ser que, à medida que o universo aumenta de tamanho, mais relevante fica a energia escura em escalas menores", complementa ele.

Seguindo essa linha de raciocínio, quando os grandes aglomerados de galáxias estiverem completamente rompidos, pode ser que a energia escura comece a afetar a dinâmica entre galáxias que estão mais próximas umas das outras.

Depois, as estrelas que hoje em dia pertencem a uma mesma galáxia se distanciariam. Elas passariam a viajar soltas pelo universo.

E isso desorganizaria completamente os sistemas planetários.

Os planetas também passariam a vagar, fora de qualquer órbita.

É possível que a energia escura chegue a causar problemas até na escala dos átomos, das forças nucleares e eletromagnéticas.

E, eventualmente, até rompa a estrutura mais básica do universo: o espaço-tempo.

"É por isso que o nome em inglês dessa teoria tem um duplo sentido. Ela é chamada de big rip, que significa uma grande ruptura, rasgo, interrupção, esgarçamento", diz Zabot.

"Mas rip também é uma sigla para rest in peace, ou descanse em paz", acrescenta o físico.

Ilustração do universo

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, A energia escura parece ter grande influência em largas escalas, como estre superaglomerados de galáxias

O grande colapso

Abramo defende que a terceira teoria tem um grau de incerteza ainda maior do que as duas anteriores.

A ideia aqui é que a força da gravidade vai botar um freio naquele processo de expansão do universo.

Vai chegar um momento em que esse ritmo vai desacelerar, até paralisar completamente.

Depois, pode ser que se inicie o processo contrário. É como se o universo decidisse engatar uma marcha-ré e entrasse num ritmo de contração.

Com isso, todas as partículas passariam a ficar cada vez mais próximas, com uma elevação progressiva da densidade e do calor.

Até chegar cada vez mais próximo daquele momento de singularidade, em que estava tudo bem comprimido, num estágio como aquele que, lá atrás, deu origem ao Big Bang.

Alguns especialistas especulam que o universo vive nessa dinâmica de aceleração e desaceleração, como se a matéria e a energia se reciclassem em eras cósmicas que duram trilhões e trilhões de anos.

Ou seja, o universo acabaria — só pra recomeçar de novo depois.

"Mas esse é um modelo completamente exótico, para o qual não temos dados ou evidências", pondera o professor da USP.

Ilustrações de galáxias

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Superaglomerados de galáxias são afetados pela energia escura, algo que não acontece em escalas menores, como galáxias ou sistemas estelares

O fim está próximo (ou longe)?

Mas será que é possível estimar quando o universo chegará ao fim?

"Não, não temos nenhuma indicação de que vai acontecer uma grande ruptura ou um grande colapso em algum futuro", responde Abramo.

"Algumas estimativas sobre esse fim falam em trilhões de anos, enquanto outras apostam em espaços de tempo ainda maiores", acrescenta Zabot.

E vamos fazer uma conta simples aqui: se o universo tem pelo menos 13,8 bilhões de anos, ainda faltam 986,2 bilhões de anos para ele completar o seu primeiro trilionésimo aniversário.

Um estudo recente feito na Universidade Radboud, na Holanda, sinalizou que esse fim pode estar um pouco mais próximo do que parecia — embora ainda esteja muito, mas muito, distante.

Os novos cálculos pontuam que os últimos remanescentes estelares vão levar 10^78 anos (o numeral 1 seguido de 78 zeros) para perecer completamente.

Anteriormente, acreditava-se que essa taxa era de 10^1100 (o numeral 1 seguido de 1.100 zeros).

"Então o fim definitivo do universo chegará muito mais cedo do que o esperado, mas felizmente ainda levará muito tempo para acontecer", pontuou o radioastrônomo Heino Falcke, um dos autores do trabalho, em comunicado à imprensa.

A questão é que (provavelmente) nossa espécie não estará aqui para testemunhar esse desenlace: o planeta Terra vai sumir do mapa muito antes disso, quando o Sol se transformar numa estrela vermelha gigante, daqui a uns 5 bilhões de anos.

Ilustração conceitual de multiverso

Crédito, Science Photo Library

Legenda da foto, Alguns pesquisadores exploram a ideia do multiverso para entender o fim de tudo

Em busca de respostas mais sólidas

"A verdade é que a gente ainda sabe muito pouco em cosmologia", admite Abramo.

O físico pontua que existe uma grande dificuldade em medir o universo com precisão apenas com as ferramentas disponíveis hoje.

E isso abre a possibilidade de apostar em teorias ainda mais hipotéticas além das três citadas anteriormente: alguns especialistas, por exemplo, exploram o multiverso, ou a ideia de que há vários universos que surgiram em diferentes regiões do espaço e do tempo.

Mas esse cenário está em constante transformação: as informações captadas por telescópios avançados, como o James Webb, permitem encaixar novas peças nesse quebra-cabeças.

Outro avanço significativo é a capacidade de medir as ondas gravitacionais.

As ferramentas capazes de fazer esse tipo de medição foram desenvolvidas pelos cientistas nos últimos anos.

"E isso certamente vai trazer grandes revoluções para a cosmologia nos próximos anos", conclui Zabot.

 

Leonardo Padura: “Cuba tem de mudar, mas não porque a asfixiam desde fora”

16 de abril 2026 - 15:07

O premiado escritor e jornalista cubano escreve sobre a situação na ilha, por entre o bloqueio energético dos EUA e as medidas recentes do governo.

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Leonardo Padura
Leonardo Padura. Foto Casa de America.

“O que é inegável é que Cuba tem de mudar, mas não deve ser porque está a ser asfixiada por forças externas, mas porque nós, cubanos, empobrecidos, desiludidos e sem esperança, precisamos que mude, em muitos sentidos”, defende o escritor Leonardo Padura num recente artigo publicado no El País.

O jornalista e escritor distinguido em 2012 em Cuba com o Prémio Nacional da Crítica, com a Ordem das Artes e das Letras de França no ano seguinte e com o Prémio Princesa das Astúrias em 2015 em Espanha, responde aos que lhe perguntam como está a situação em Cuba numa altura em que o país vive uma grave crise económica e social por causa do bloqueio energético imposto pelos EUA que paralisou muitas atividades e se veio somar aos “longos apagões, deterioração dos transportes públicos, falta de material médico, inflação e o consequente carestia de vida, que se reflete nos baixos salários de grande parte da população”.

Padura refuta comparações com a época do “Período Especial”, que se seguiu ao colapso da URSS: “Naquela época, a situação extremamente dramática de escassez de tudo o que se possa imaginar tinha uma dimensão política: as carências eram sentidas de forma horizontal, ou seja, afetavam de igual forma quase toda a população, e assim se manteve a estrutura homogénea da sociedade cubana”. Agora, contrapõe, a situação é diferente e inclui uma dinâmica de desigualdade em que “muitos estão em dificuldades, mas um setor já visível tem vindo a enriquecer, aproveitando-se das carências que o Estado não consegue colmatar”.

Para chegar “ao ponto de ebulição atual”, prossegue, é preciso recuar às reformas económicas de Raul Castro que “implicou o desmantelamento de grande parte do sistema igualitário promovido no país, com a eliminação das “benesses indevidas”, e abriu caminho para o surgimento de diferenças económicas e sociais que hoje se tornaram evidentes”. A reforma da política monetária fez cair o valor do peso cubano e disparar a inflação, reduzindo ainda mais o poder de compra, e a dependência económica do turismo mostrou as suas limitações durante a pandemia e na atual crise energética.

As recentes medidas anunciadas pelo governo durante as negociações mantidas com os EUA, de abertura ao investimento por parte dos cubanos residentes no estrangeiro, são vistas como a “exibição de uma vontade de mudança”, embora não se apliquem aos que vivem em Cuba. “É como se se partisse do princípio de que os que vivem aqui são tão pobres que nem sequer conseguiriam abrir uma fábrica de sapatos”, ironiza.

O escritor termina o artigo com um exemplo do que pode ser um retrato da situação atual, com os condutores das motas elétricas - uma alternativa ao transporte público cada vez mais usada - que frequentam o café privado em frente à sua casa: “Haja luz ou apagão, a maioria deles faz a sua pausa gastronómica junto ao veículo, ao qual adaptaram altifalantes que inundam o bairro com a transmissão, a todo o volume, dos reggaetons da moda. Há crise, é verdade, muitos problemas, é verdade, mas, por enquanto, também é verdade que temos o Bad Bunny e o Bebeshito. E, claro, muita vontade de viver”.

Pepe Escobar

 Fonte: observatoriocrisis.com

Pepe Escobar (AP) - Na segunda-feira, 1 de junho, em Power Shift - uma nova plataforma geopolítica independente - Zulfiqar Ali, Larry Johnson e eu revelamos o que, para fins práticos, é uma informação de bombardeio real: se as nuvens escuras continuam a surgir, Teerã está disposto a girar da ambiguidade nuclear para a detonação real de um dispositivo nuclear em solo iraniano.

Menos de uma semana depois, a página do Power Shift foi censurada no YouTube, sem qualquer explicação e sem chance de apelo. No entanto, o que revelamos já havia sido detalhado em vários podcasts e entrevistas ao longo da semana passada, como aqui e no fórum de São Petersburgo, aqui.

Publiquei um fundo detalhado antes da disseminação da informação, escrita pouco antes da equipe de negociação do Irã suspender a troca de todos (os itálicos são meus) os textos e mensagens com os EUA. EUA através do mediador, Paquistão.

Quando se trata da redação do que talvez seja o esboço final de um Memorando de Entendimento (MoU) eternamente debatido entre o Irã e os EUA. Os EUA de repente ficaram meridianamente claros de que tudo gira em torno do Líbano.

O Irã reiterou repetidamente que estava disposto a descartar o “cessar-fogo” – já em um estado em coma – se o culto à morte na Ásia Ocidental prosseguisse com sua ameaça de bombardear Dahiyeh, o subúrbio xiita de Beirute, no sul de Beirute.

Confrontado por Trump, o líder do culto à morte foi forçado a recuar. Só por alguns dias. Trump precisa desesperadamente de um memorando de entendimento e de um cessar-fogo prolongado para vendê-lo como uma “Vitória”. Suas Vitórias.

Tudo isso aconteceu, de forma rápida e furiosa, depois de um fatídico e extremamente sensível telefonema de 105 minutos na quinta-feira, 28 de maio entre o presidente iraniano Masoud Pezeshkian e o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif.

Islamabad é o único canal indireto de chefes de governo que trabalha e é confiável entre Teerã e Washington. Nossas fontes revelaram que, durante o telefonema, Pezeshkian entregou um ultimato formalmente estruturado em três etapas a serem comunicadas à Casa Branca com absoluta clareza:

  1. Não há mais negociações nucleares. Ou seja, a prioridade é o fim de todas as guerras contra o Irã e o Eixo de Resistência.
  2. Não há mais quadros para um futuro tratado nuclear. Ou seja, sem discussões que levem a um JCPOA 2.0 possível e diluído; isso só acontecerá depois de resolver o fim das guerras e o status do Estreito de Ormuz.
  3. Se os EUA ameaçarem. Os EUA persistem, disse Pezeshkian, que levará à “detonação de um dispositivo nuclear em solo iraniano”, executado não como um ato de guerra, mas como uma demonstração soberana e irreversível da capacidade de controlar o domínio da escalada.

O que é particularmente chocante é que nenhum dos itens acima responde a uma posição diplomática. O que tivemos foi para o presidente do Irã transmitir o que é essencialmente uma decisão do líder Mojtaba Khamenei, observando que, se Washington cruzar o próximo limiar, Teerã vai instantaneamente girar de ambiguidade nuclear para uma demonstração inegável.

E isso implicaria uma quebra permanente do sistema global de não proliferação, com consequências não intencionais.

Alinhamento estratégico China-Irã-Paquistão

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, obviamente, calculou a magnitude de tal inteligência. Ele imediatamente ordenou que o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, que estava em Nova York para as sessões do Conselho de Segurança da ONU, entregasse a informação a Washington.

Dar fez a ponte de todo o aparato burocrático e chamou diretamente o secretário de Estado dos EUA. EUA, Marco Rubio, Nova Iorque. A mensagem, de Teerã ao governo Trump, foi nítida: a escalada da escada agora tem um passo terminal.

Rubio “pode” (e essa é a palavra-chave) reconheceu a suprema gravidade do que é, de fato, um ultimato nuclear formal. Ele informou Trump. No dia seguinte, 29 de maio, Trump parou abruptamente qualquer outra ação cinética. E sua retórica inflamatória moderou instantaneamente.

Isso não teve nada a ver com um ataque repentino de moderação estratégica no eixo Guerra-Lago/Oval do Escritório. Foi o resultado direto e derivado do canal indireto Sharif-Dar-Rubio.

Na manhã de 29 de maio, Dar chegou a Washington para uma visita oficial.

Sentado na frente de Rubio, ele entregou-lhe o relatório detalhado que o telefonema de Nova York tinha apenas antecipado.

Ele colocou duas bombas maciças na mesa de negociações:

  1. O Irã não vai entregar nada de seu urânio altamente enriquecido (HEU). Nada. Zero. E isso é final. Tudo se resume à independência soberana (dois conceitos no centro da recente declaração conjunta Rússia-China assinada em Pequim durante a visita oficial de Putin a Xi Jinping). Portanto, Teerã não entregará suas reservas, independentemente dos termos, seja temporariamente ou não, apenas para cumprir um mecanismo de facelift projetado para o público doméstico dos EUA. EUA Do ponto de vista da liderança do Irã – com Mojtaba no comando – a HEU vai muito além de um ativo técnico; é a fusão final de soberania, dissuasão, influência e sobrevivência política.
  2. A China entregou sistemas estratégicos de defesa de última geração ao Irã – incluindo sistemas de defesa aérea portáteis (MANPADs) – desviados secretamente por países terceiros (e é por isso que eu não consegui nenhuma confirmação oficial há duas semanas em Xangai).

A quebra: um alinhamento estratégico China-Irã-Paquistão total e operacionalmente ativo está em vigor.

Um Acordo de Islamabad ainda é possível?

Como as coisas estão, nenhum de nós – incluindo nossas fontes – sabe se uma arma nuclear detonada em solo iraniano teria sido desenvolvida exclusivamente pelo Irã [eles têm a capacidade científica para isso] ou com possível ajuda russa, paquistanesa ou norte-coreana. Todas as opções são plausíveis.

De acordo com Ted Postol, do MIT, o Irã poderia facilmente converter 450 kg de hexafluoreto de urânio para 65% para cerca de 85% de grau militar: tudo o que é necessário para uma arma de baixo desempenho, que seria montada em pelo menos 10 sistemas de lançamento de mísseis capazes de chegar a Israel. Isso significa pelo menos 10 bombas nucleares.

Tecnicamente, esse tipo de arma de baixo desempenho pode ser projetado, explica Postol, com o uso de um refletor de nêutrons feito de urânio empobrecido – ou carboneto de berílio / tungstênio – posicionado imediatamente em torno do núcleo de físil. Ele reflete nêutrons que voltam ao material nuclear para aumentar a eficiência da fissão e reduz a massa crítica necessária. Resumindo: menos material e mais bombas.

Muito importante: um rascunho desta coluna foi enviado no início da semana passada para um alto funcionário iraniano, parte do círculo extremamente estreito em torno do líder Mojtaba Khamenei. Sua reação: “Não vou comentar sobre este assunto”.

Além dessa resposta de “não resposta”, o que ficou claro instantaneamente é a transmissão verificada da comunicação por um canal indireto mais importante da crise de “nem guerra ou paz”.

Funciona así: Pezeshkian habla con Sharif; Sharif habla con Dar; Dar habla con Rubio; Rubio habla con Trump; Dar habla con Rubio cara a cara (durante su sesión informativa en Washington).

Tudo isso lança uma nova luz sobre o cessar-fogo de 60 dias – mais tarde quebrado – a frágil rampa de saída que Trump precisava desesperadamente. Esta estrutura foi organizada pelo Paquistão e estruturalmente apoiada pela China, como confirmei em Xangai.

Teherán ha insistido en el orden de los procedimientos una y otra vez. Primero, deben detenerse todas las guerras, especialmente la ofensiva del culto a la muerte sobre el Líbano. Luego se entra en las modalidades para restablecer el tráfico comercial a través del Estrecho de Ormuz. La tercera y última etapa es reanudar algún tipo de diálogo nuclear significativo.

No quadro geral, uma séria reescrita estrutural já está em andamento, não importa as surpresas desagradáveis que quebram o cessar-fogo e podem surgir.

Como as coisas estão: os Acordos de Abraham estão, para fins práticos, mortos; a Arábia Saudita congelou todas as discussões indiretas de “normalização” com Israel; Qatar e Omã estão silenciosamente elaborando cronogramas de transição militar para eliminar gradualmente a presença dos EUA. EUA na Ásia Ocidental. E o mais crucial, uma nova arquitetura de segurança na Ásia Ocidental está rapidamente se coating fora do guarda-chuva “protetor” dos EUA, alimentado pelos quatro sunitas: Paquistão, Arábia Saudita, Turquia e Egito.

Na última quinta-feira, novamente no Power Shift (nossa página do YouTube ainda estava ativa), Zulfiqar Ali, Larry Johnson e eu identificamos um possível Acordo de Islamabad como a estrutura emergente para acabar com a guerra dos EUA. Os EUA e o Irã, muito antes da grande mídia ocidental reconhecê-la como arquitetura organizacional.

También identificamos el mecanismo que lo impulsa: una diplomacia de lanzadera pakistaní ininterrumpida, respaldada silenciosa pero decisivamente por China.

Expusimos la hoja de ruta de dos fases: primero, un alto el fuego inmediato y la reapertura del Estrecho de Ormuz (Irán está de acuerdo con ambos); segundo, una breve ventana de negociación para finalizar el acuerdo político y financiero más amplio.

Relatamos que a liberação extremamente controversa dos ativos congelados do Irã não foi um assunto de discussão especulativa, mas uma alavanca ativa no processo. Que essa liberação de ativos e possível alívio de sanções estavam sendo abordadas como medidas concretas de construção de confiança.

Também relatamos que uma delegação iraniana de alto nível – que incluiu o líder do Parlamento, Galibaf, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e o governador do Banco Central, Abdolnaser Hemmati – viajaria para Doha na rota dos fundos congelados. Isso foi confirmado mais tarde em todo o espectro, incluindo o fato de que o componente do banco central estava diretamente ligado a ativos congelados.

También adelantamos que Islamabad podría convertirse en el escenario del acto político final, incluida una posible visita de Trump junto a Pezeshkian; sin embargo, ahora esa posibilidad parece más remota que nunca.

A China só olha para o fluxo do rio

Estos son los hechos, tal como están las cosas:

Irán está lejos de estar aislado y está posicionado para una guerra prolongada, con un respaldo material y estratégico significativo de China, Pakistán y Corea del Norte, y un apoyo cuidadosamente calculado de Rusia, como confirmé durante el foro de San Petersburgo.

EUA. EUA estão paralisados. O governo Trump pode parecer querer uma rampa de partida; mas está totalmente condicionado pela pressão do culto à morte na Ásia Ocidental – como vimos neste fim de semana – caminhos de escalada esgotados e pela ausência de uma opção militar decisiva que possa alterar o tabuleiro de xadrez sem criar uma crise infinitamente mais incontrolável.

As petromonarquias do Golfo estão aterrorizadas com uma possível retomada da guerra, com a principal exceção dos Emirados Árabes Unidos.

Isso deixa Islamabad como a única rota de fuga disponível, com o quarterback de campo Asim Munir posicionado como o intermediário indispensável; e Pequim e Moscou seguindo tudo de perto, em alguns aspectos moldando ativamente o quadro externo.

O bombardeio do sul de Beirute em 6 de junho foi mais uma vez perpetrado em um momento crítico nas negociações, como observado por Mohammad Mokhber, um conselheiro sênior do líder Mojtaba Khamenei e membro do Conselho de Discernimento do Irã:

“Ao bombardear o Líbano durante a presença do mediador no Irã [referido a Asim Munir], o inimigo incendiou a mesa de negociações pela terceira vez para clamar sobre repetidas violações de cessar-fogo em todas as áreas. Falamos com estupradores na linguagem do “poder”; o eixo da resistência é um corpo unificado, e eles definitivamente pagarão um preço pesado e doloroso por essa agressão no solo.

O bombardeio do culto à morte no sul de Beirute levou a um espetáculo absolutamente surreal: o governo Trump correndo atrás do mediador paquistanês em Teerã, implorando-lhe para interceder com os iranianos por uma desescalada. O imperador que queria destruir a civilização iraniana teve que pedir ao Paquistão para salvar o que ainda poderia ser salvo.

Isso significa, como relatamos, que, uma vez que o Irã estabelece os termos da escalada e aumenta seu potencial de dissuasão, e com Trump ficando sem cartões, a única solução possível está na diplomacia através de Islamabad.

Esta semana no Power Shift, em três programas consecutivos de segunda a quarta-feira, vamos nos aprofundar na inteligência e na diplomacia que estão subjacentes a essas reviravoltas tectônicas.

E então, é claro, há o intrigante ângulo chinês.

O mundo dos think tanks dos EUA. Os EUA ficarão totalmente paralisados quando finalmente perceberem que, ao injetar hardware militar avançado no teatro de guerra iraniano, Pequim está testando ativamente os limites da coerção hegemônica americana.

E se a situação chegar a um ponto crítico e o Irã for forçado a realizar uma demonstração nuclear em vista do mundo inteiro, a China adquirirá uma prova inexorável de conceito de que os EUA dissuadem. Os EUA são ocos.

É preciso se maravilhar com a engenharia de uma obra-prima estratégica tão massiva, sem disparar um único tiro.


domingo, 7 de junho de 2026

“A construção de um século XXI habitável e mais igualitário é materialmente possível. O principal obstáculo não é técnico, mas político”

 

Um novo relatório do World Inequality Lab (WIL) admite que é possível melhorar significativamente os níveis de vida da população mundial, reduzir as desigualdades económicas e manter o aquecimento global abaixo dos 2°C até ao final do século.
Apresentado como uma das análises mais abrangentes sobre os desafios interligados das alterações climáticas, da desigualdade social e da instabilidade política, o Global Justice Report propõe um conjunto de medidas estruturais destinadas a construir uma sociedade mais justa dentro dos limites ecológicos do planeta.
Entre as principais recomendações estão a aplicação de impostos elevados sobre as grandes fortunas, em particular sobre os multimilionários, a redução substancial do tempo de trabalho, alterações nos padrões alimentares, com menor consumo de carne vermelha, e uma reorientação do investimento para setores como a educação e a saúde.
Segundo os autores, citados pelo The Guardian, a implementação destas medidas permitiria duplicar os rendimentos de cerca de 89% da população mundial até 2100, ao mesmo tempo que limitaria o aumento da temperatura média global a 1,8°C face aos níveis pré-industriais.
O relatório foi elaborado por 45 investigadores com base em dados recolhidos por mais de 200 especialistas de vários países. No centro da proposta está o conceito de “suficiência”, que defende a possibilidade de assegurar vidas prósperas e saudáveis sem depender de um aumento constante do consumo material.
Entre as mudanças sugeridas encontra-se a redução do tempo médio anual de trabalho de cerca de 2.100 para 1.000 horas por ano, equivalente a uma semana laboral de aproximadamente dois dias e meio. Os autores defendem ainda uma forte expansão dos investimentos em educação e saúde, setores que apresentam uma pegada material e energética significativamente inferior à da indústria transformadora.
A redução das desigualdades é outro dos pilares do plano. O relatório prevê que, até ao final do século, o rendimento médio mundial possa atingir os 5.000 euros mensais por pessoa. Os maiores ganhos ocorreriam nos países do Sul Global, enquanto os mais ricos seriam alvo de uma maior tributação. Neste cenário, a parcela da riqueza mundial detida pelos multimilionários passaria dos atuais 6% para apenas 0,05%, enquanto a quota dos 50% mais pobres aumentaria de 2% para 30%.
No plano climático, os investigadores defendem uma aceleração do investimento em energias renováveis, como a solar e a eólica, através da transferência de capital das maiores fortunas para financiar a transição energética. O objetivo seria alcançar uma descarbonização quase total do sistema energético mundial até meados do século.
Para concretizar estas metas, o relatório propõe a criação de um Fundo Global para a Justiça, destinado a financiar a transição energética e a expansão dos serviços públicos, bem como de um fundo soberano mundial que contribua para uma distribuição mais equilibrada da riqueza.
Thomas Piketty, economista francês e coautor do estudo, considera que a combinação entre justiça social e ação climática é indispensável. Segundo o investigador, políticas ambientais que ignorem as desigualdades sociais correm o risco de gerar contestação e fracassar politicamente.
“A construção de um século XXI habitável e mais igualitário é materialmente possível. O principal obstáculo não é técnico, mas político”, conclui o relatório.
O documento foi debatido durante a Conferência Mundial sobre Desigualdade, que decorre entre 4 e 6 de junho, em Paris, reunindo académicos e especialistas de várias áreas.
(Notícia SAPO)

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